A empresa

Mudar o mundo… Início dos anos setenta, o mundo estava realmente mudando sob a influência do “tsunami” “maio 68” que arrastava em seu bojo libertário todo tipo de mecanismo repressor e careta, afinal a palavra de ordem era “probido proibir”. Aqui no Brasil o AI5 mudava as coisas para pior, no sentido inverso da liberdade. A ditadura militar impunha sua “linha dura”, as liberdades individuais foram suprimidas, trevas invadiram a praça onde os poetas foram arrancá-las com a poesia em punho para iluminar a construção de uma “sociedade alternativa”. O movimento hippie perambulava pelas margens e seus artesões de flores, sonhos e rocknroll,com os dedos em “V”, anunciavam “PAZ E AMOR”.

Luis Antonio Mota Cunha, o Lula, transitava no meio disso tudo procurando também uma saída, mas uma saída realmente digna e efetiva para um ser humano encurralado por armas e botas, torturado e desaparecido nos porões sem alma. Nessa busca foi de taxiceiro a jornalista. Numa de suas muitas idas e vindas ganhou de um amigo o livro “Macrobiótica Zen”, de George Oshawa, o criador da Macrobiótica, princípio alimentar oriundo do Japão que contempla os cereais integrais como o principal alimento e remédio existente no planeta. Ao ler o livro Lula teve uma visão de que tudo aquilo iria realmente promover uma mudança significativa para toda a humanidade.

Lula além de revolucionário era um pensador visionário e apaixonado pela cultura brasileira e baiana. Por isso divergia bastante da liderança da macrobiótica no Brasil por causa de uma certa tendência de super valorizar a cultura oriental em detrimento da brasileira. Num relatório escrito logo após um seminário macrobiótico ele evidencia o seu descontentamento com essa tendência majoritária e profetiza: “(…) Ignora-se a cultura brasileira, desprestigia-se a sua arte culinária, a medicina popular e indígena, a agricultura, etc. Vive-se enfim um processo alienante. Como resultado vemos de forma pouco otimista o projeto edificador da macrobiótica. A falta de líderes é uma evidência desses fatos. Enquanto toma corpo um crescimento desordenado, a falta de pessoas potentes agrava o quadro presente. È necessário que se faça uma revisão na concepção atual, ou seja, de super valorizar a forma original oriental. Porque se não se ampliar a busca e valorização dos aspectos da vida e cultura regional-nacional, não atingiremos patamares que propiciem o crescimento constante e harmonioso da macrobiótica. (…)”

Procura então fazer contato com a Associação Macrobiótica Internacional (AMAI) com o objetivo de ampliar e aprofundar seus estudos e conhecimentos. Mas achando que não foi bem recebido resolve criar o seu próprio espaço para difundir e praticar os princípios alimentares da macrobiótica.

Junto com a família e amigos solidários consegue levantar os recursos para concretizar o seu intento. Começa então a montagem do “Restaurante Grão de Arroz”, cuja inauguração ele queria que fosse no dia 21 de setembro de 1974. Como não consegue finalizar as obras para essa data, resolve fazer uma inauguração “simbólica”.

Mas em 25 de novembro (dia de seu aniversário) Lula dá por oficialmente inaugurado o Restaurante Grão de Arroz na Rua João Florêncio, onde funcionou por 7 anos, até que no ano de 1991 passou a operar no endereço atual, Rua Coqueiro da Piedade, 88, Barris, perto da estação da Lapa.

Criativo e inovador, Lula amplia e moderniza o restaurante e o mercadinho operando mudanças significativas como a implantação de um moinho para a produção de farinhas integrais, o que melhora de sobremaneira a qualidade do produto, praticamente feito na hora o que torna o seu consumo muito mais adequado.

Logo a seguir monta um moderno sistema de embalamento e empacotamento de mercadorias com a marca do Grão de Arroz. O objetivo é atestar a qualidade dos produtos. Ele também amplia a padaria para o fabrico de pães, biscoitos, broas e lanches doces e salgados e a loja passa a disponibilizar para o público mais e 2 mil itens de produtos naturais e integrais.

Já o restaurante passa a funcionar com uma clientela bastante diversificada, fiel e renovada, contando com clientes de 35 anos de freqüência diária a novíssimos adeptos de uma macrobiótica com o perfil regionalizado que Lula teimosamente fazia questão de manter e que virou marca registrada do Grão de Arroz.

Empreendedor nato, Lula inaugura, em 2 de julho de 1999 a loja de produtos naturais do Grão de Arroz Pituba. E como sempre gostou de cultivar a terra, Lula comprou um sítio pensando em oferecer o melhor para os seus clientes. A intenção era obter produtos naturais orgânicos, principalmente hortaliças, frutas e congêneres.

Mas no dia 10 de agosto de 2005, após quatro anos de luta renhida Lula foi finalmente derrotado pelo câncer, para pesar e tristeza de seus familiares, parentes, funcionários, amigos, fornecedores e clientes agradecidos e beneficiados pelo seu trabalho a lamentar o seu desaparecimento precoce.

Mas o seu sonho continua sendo realizado, renovado e ampliado diariamente através de sua incansável viúva, Vera Lúcia Martins.

“O mundo pode ser mudado. Você pode mudar. Tudo pode mudar. Desde que queira, aqui e agora. A mutação é o princípio fundamental da existência. Mudar significa viver. O melhor viver se da na maior capacidade de mutação. A mutação é indispensável para a adaptabilidade. Viver bem é a maior ambição. Para tal, a adaptabilidade é imprescindível.(…)” (Luíz Antonio Mota Cunha – Lula).

Por Geraldo Maia

Em 2010, nasce no bairro da Pituba o mais novo empreendimento da família Grão de Arroz, o Restaurante Viva o Grão. O mesmo traz na bagagem a experiência e a credibilidade do seu genitor. Oferecendo para seu público uma alimentação de qualidade, composta por alimentos integrais, frescos, selecionados, preparados de maneira criteriosa.

O espaço foi preparado com todo o cuidado e carinho, para que os frequentadores se sintam bem ao alimentar-se. Possui um serviço diferenciado dos demais restaurantes a quilo, pois sua finalidade é oferecer além de alimentos saudáveis, segurança alimentar, compondo o prato de nutrientes essenciais para a saúde e seguros para o corpo.

O restaurante Viva o Grão fica instalado bem em frente ao Grão de Arroz da Pituba, na Rua Minas Gerais, nº112 H.